Rio, 1/2/2011
Às vezes me pergunto como seria se eu morresse. Imagino quem iria de fato se importar e sentir minha falta. Quem de certa forma se sentiria culpado e desejaria morrer junto comigo. Entendo que para muitos seja de se estranhar interesse em um pensamento tão mórbido, mas eu já pensei sobre isso uma boa dose de vezes e para mim não há com o que se espantar.
Eu não quero morrer. Ao contrário. Tenho tanto desejo por viver que nem ao menos consigo desistir e me sinto obrigada a me esforçar em tentar ser feliz.
Estou me esforçando como nunca para ser simpática, otimista e compreensiva. Mas é preciso forca e determinação para ser tão gentil. É preciso mais do que força para ser aquilo que não se é e não se quer ser. O fato é que não consigo me sentir real. Não consigo me sentir eu mesma. Faço isso para agradar os outros e, por conseguinte me agradar. É como se eu fosse me sentir bem, por vez os outros se sentirem bem comigo, mas na prática isso não funciona.
A verdade é que me sinto só e isso me entristece. Mesmo rodeada por pessoas, mesmo que estejam falando comigo. Eu ainda assim me sinto só. Essa solidão esta me matando aos poucos. Estou enlouquecendo, perdendo a racionalidade e ficando paranóica. Estou perdendo até a capacidade de sonhar. Estou completa e extremamente presa a realidade. A realidade é triste. Os sonhos sempre são mais agradáveis.
Parece que não importa o que façam e o que falem. Independente de qualquer coisa, continuarei me sentindo deslocada. Continuarei insatisfeita e me sentindo mal comigo mesma. Esta solidão ainda me chorar. Não aguento mais sofrer. Não consigo mais suportar a tristeza, o deslocamento e o desamparo. Se é que um dia pude suportar.
Resumindo: solidão, sensação de deslocamento e insatisfação comigo mesma.