terça-feira, 17 de julho de 2012

Conclusão socrática

Rio, 17 de julho de 2012.

"Só sei que nada sei."
Dizem que Sócrates foi o autor desta célebre frase. É possível que sim, mas acredito que não. Para mim, essa frase é apenas uma síntese do pensamento socrático, mas nunca foi exatamente dita por Sócrates. De qualquer forma, para efeitos de "postagem num blog informal" por falta de maior conhecimento e também pela naúsea em ler "autor desconhecido", atribuirei esta frase a Sócrates.
Que seja. Vamos ao que realmente interessa.


Não estou num conflito existencial. Estou num conflito moral. Porque sinto que sendo leal a minha mãe, estou sendo desleal com meu pai. Não há como querer colocar duas pessoas que amo igualmente numa balança e pedir para que eu escolha. É absolutamente inaceitável. Isso tudo me irrita. Minha mãe foi tão egoísta e imprudente. Eu me pergunto por onde anda a sua sensatez. Mas, espere. Eu não estou irritada com o iminente divórcio. Estou irritada com a forma como as coisas se desenvolveram. Parece tudo tão errado. Tão fora do lugar.
Compreendo que todos estão passíveis a erros. Principalmente, quando o assunto é amor. Mas eu não consigo deixar de pensar que as coisas poderiam ser evitadas se o tal cara tivesse se declarado logo, ou se minha mãe não se casasse tão depressa, ou se ela tivesse tido a coragem de descasar a anos atrás. Eu não consigo deixar de pensar como as coisas poderiam estar melhores se tudo fosse feito no momento certo, no momento em que deveria ter sido feito. Mas, afinal, o que é o momento certo? Isso existe? Pode ser que o momento certo seja agora, o presente, o que ainda está em nossas mãos. O passado é intangível e o futuro é amorfo.

Me sinto profundamente imatura.
Já pensei diversas vezes “mas eu só tenho 16 anos, o que eu posso saber sobre casamento?”. Eu, agora, recrimino minha mãe. Acho sua atitude de sentir tanto medo em revelar a verdade e de fazer com que eu tenha que mentir para meu próprio pai desprezível. Mas, pergunto: “Será que um dia não vou viver o mesmo? Ou ao menos algo parecido?”, Afinal, eu sou tão insegura. Não deveria recriminá-la por isso. Às vezes, acho que estou sendo hipócrita.
A verdade é que também não posso isentar meu pai da culpa. Ele falhou muito. Se o casamento deles ruiu, não foi só porque minha mãe amava outro. Ele também não fez muitos esforços para que ela o amasse.

A culpa é de todo mundo e ao mesmo tempo é de ninguém.
E eu fico aqui: procurando culpados como se isso fosse solucionar os problemas. Mas não irá. Talvez (quem sabe?) possa até melhorar. Tornar as coisas mais cômodas, um tiquinho mais confortável. Mas não vai solucionar. A solução é o diálogo. É a comunicação. Concluo que o problema da humanidade é sempre - ou quase sempre - o colapso na comunicação.

De qualquer forma, o que eu sei sobre isso? Não sei de nada. Apenas desconfio. O subtítulo do blog ("O mistério está é em tua vida!") faz jus ao momento.
Essa situação toda me levou a irônica epifania de que o mistério está é na minha vida.