Estou esperando pelo dia que vou conseguir escrever um texto com mais de dois parágrafos. (E não é que consegui? Logo depois que escrevi isso, consegui desenvolver um texto grande e razoável, sem eu nem esperar ou querer. Não adianta. Tem coisas que só vem naturalmente.)

Tenho um caso de amor com o meu computador. Não quero largá-lo um minuto sequer. Isso pode soar nerd ou idiota. Ou os dois. Eu não ligo. Enquanto tiver essa máquina aqui no colo está tudo tranqüilo. Consigo me relacionar com ele de uma maneira que não consigo com ninguém. Amo-o sem esperar reciprocidade. Amo-o mesmo sabendo que ele nunca poderá ofecerer reciprocidade. Não me importo com isso. Realmente, não dou à mínima, porque isto não me faz triste. Isto não me machuca. Quem dera fosse assim com as pessoas. Por que será, que nós temos a insistência idiota em pensar que os outros devem nos amar do mesmo modo que nós? Por que esperamos por reciprocidade? Estamos sempre nos preocupando se estamos sendo amados, que às vezes esquecemos de nos perguntar, “Ei, mas eu estou amando?”. É isso que importa. Bem, é isso que deveria importar. Devíamos ficar felizes e satisfeitos ao amar, mas não, queremos mais. E quando digo nós me incluo claramente nesse sujeito. Não quero mais esperar pelo recíproco. Quero deixar o amor acontecer e que assim seja. O que é melhor, amar ou ser amado? Do que adianta receber todo o amor do mundo e não senti-lo dentro de ti? Apenas ame, e deixe que o amor aconteça.
Outro fato que me encanta, nesta relação eu+computador é que ele sabe sobre mim mais coisas do que qualquer um. Dentro desta máquinazinha existem coisas as quais creio que ninguém imagina. Tem uma parte de mim que de fato ninguém imagina. Aqui tem meu verdadeiro eu. Minhas alegrias, angústias, questionamentos... Tenho medo de mostrar. Odeio isto. Eu realmente detesto fingir que não tenho sentimentos ou opiniões todo o tempo. Isto me faz sentir patética, mas eu não consigo. Não consigo deixar esse meu lado. Já fiz muitas tentativas. Quase todas mal sucedidas. O jeito que encontrei foi escrever. O jeito que encontrei foi ser como sou quando ninguém está olhando. Só dentro do meu pensamento.
Como poderia imaginar que falando sobre computador chegaria a esse ponto. É impressionante esta capacidade que tenho, às vezes, de mudar completamente de assunto. Mas eu gosto. Para falar a verdade acho fascinante. Finalmente, achei algo em mim que acho encantador.