quarta-feira, 14 de março de 2012

Território estável, estranho e desconhecido

Rio, 14 de março de 2012.

Ultimamente eu não ando me importando muito com a escola. Não é como se eu não esteja dando a mínima, eu ainda me importo, mas sinto que agora estou menos exigente. Eu ainda estudo, me preocupo em aprender e entendo que a escola é importante, mas parece que a minha vida agora, finalmente, está indo além disso. Eu estou usando o meu tempo para fazer o que vai além da minha obrigação óbvia, que é estudar, e fazendo mais aquilo que gosto e o que não deixa de ser importante. Estou separando um tempo para mim mesma, para minha família, para meus amigos, para ler e também para estudar. Eu entendo agora que a vida é muito mais do que a escola. Isso é natural e não há nada de errado. No momento, as coisas estão mais estáveis e em harmonia.
Embora minhas notas estejam abaixo do normal, isso não está me perturbando, afinal ainda são boas notas e eu não preciso provar nada pra ninguém. Eu vivi toda a minha vida me sentindo pressionada – situação que eu mesma criei – e com uma enorme responsabilidade de não decepcionar meus pais, meus professores e meus colegas de classe. Só agora pude compreender que eu não tenho e nem gosto de ser nenhum tipo de referência pra ninguém. Eu desejo ter sucesso e prazer naquilo que gosto, independentemente do que for. Eu tenho que fazer isso tudo por mim mesma e por mais ninguém.
Além disso, o tempo dos estudos que diminuí, estou usando de uma forma bastante produtiva. Estou cuidando de mim e aprendendo muito através da leitura. Eu estou aprendendo a fazer aquilo que devo e também aquilo que gosto, sem que essas coisas entrem em conflito.
O fato é que estou imperturbada e eu nunca fui assim. O tempo não mudou nada. As coisas não mudaram, a rotina é a mesma. Fui eu quem mudou. A minha reação diante das coisas mudou radicalmente e, agora que tenho a consciência da minha enorme mudança, estou curiosa e surpresa.
Tudo isso é estranho. É muito estranho. São muitas mudanças acontecendo ao mesmo tempo. Sinto-me como se eu não fosse eu mesma. Não é como se fosse ruim, é apenas estranho. Só sei que não me reconheço mais.