segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Minhas impressões - O Apanhador no Campo de Centeio

“Coming through the rye, poor body.
Coming through the rye,
She draigl't a' her petticoatie,
Coming through the rye!

Gin a body meet a body
Coming thro' the rye.
Gin a body kiss a body,
Need a body cry?”

(Robert Burns, Coming Through the Rye)

Esse é um trecho do poema ao qual o título do livro faz alusão. Neste, o personagem
O enredo, se analisado fora do contexto em que o livro foi lançado – no caso, a década de cinquenta – pode parecer não muito original. Mas, estamos analisando um clássico, e clássicos de forma alguma e por motivo algum podem ser analisados fora de um contexto histórico. "O Apanhador No Campo de Centeio" surgiu numa época na qual os jovens não tinham voz. Grande parte deles era obrigada a seguir aquilo que suas famílias empunham, sem jamais poder contestar. Com esse livro, Salinger expôs, pela primeira vez na história da literatura americana, a adolescência de forma tão objetiva. Ele provou ao mundo que os jovens têm direito a sua própria visão de mundo, por isso, O Apanhador foi responsável por mudanças de comportamento que marcaram uma geração.

O personagem é reclamão, dramático, boca suja e faz uso de muitas gírias? Sim! Mas, qual é, que adolescente não é assim? Tudo isso é importantíssimo para a caracterização do personagem. E, sobretudo, é fundamental para abordar com realismo o tema do livro: a adolescência.

Por que é um clássico? Porque foi o primeiro livro a abordar as angústias e incertezas vividas na adolescência de uma forma objetiva e extremamente realista, o que permitiu aos leitores se identificarem com o personagem. Eu mesma, por exemplo, ao concluir a leitura, a primeira coisa que pensei foi: "eu te compreendo Holden Caulfield".

Apesar de ter sido escrito há pouco mais de sessenta anos, "O Apanhador no Campo de Centeio" é um livro com temas extremamente contemporâneos, que faz pensar que o livro foi escrito no século XXI. É um livro para se divertir, se encantar, mas, sobretudo, para refletir.

"Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê eu tenho de fazer? Tenho de agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer,se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer".